O que podemos aprender com organizações que já estão experimentando novas respostas para vidas mais longas?
O Mapeamento do Ecossistema de Inovação Social em Longevidade 2026 dará origem a uma série de relatórios que aprofundam diferentes dimensões, achados e perspectivas sobre o campo da longevidade no Brasil.
Neste segundo relatório, partimos das 11 Frentes de Inovação em Nova Longevidade propostas pelo Mapeamento para perguntar: o que podemos aprender com quem já está experimentando novas respostas para vidas mais longas? Entre as 296 organizações mapeadas, as frentes com maior presença são Educação sobre Envelhecimento (65,88%), Saúde Social (61,82%), Intergeracionalidade (54,05%) e Promoção de Saúde Integral (49,66%), seguidas por Protagonismo 60+ (41,55%), Inclusão Digital (37,50%), Estudos, Pesquisas e Indicadores sobre Longevidade (35,14%), Inclusão Produtiva (23,99%), Economia do Cuidado (22,64%), Educação Financeira (18,92%) e Acessibilidade e Mobilidade (12,16%). Uma mesma organização pode atuar em mais de uma frente.
Para explorá-las, selecionamos iniciativas capazes de revelar diferentes caminhos de inovação dentro de cada frente. A intenção não é identificar “as melhores” organizações nem estabelecer um ranking. Os casos funcionam como lentes para observar abordagens, escolhas e mecanismos de transformação que podem ser relevantes para outros atores do ecossistema.
É dessa leitura transversal das experiências reunidas em cada frente que emergem os Princípios de Design para uma Nova Longevidade. Eles transformam aprendizados concretos observados nas iniciativas em princípios capazes de inspirar o desenho de novas soluções. Não são receitas, critérios de certificação ou modelos a serem simplesmente replicados, mas provocações para ampliar a pergunta sobre o que significa inovar em uma sociedade que vive cada vez mais.
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11 Princípios de Design
Para Uma Nova Longevidade
1.
Educar para envelhecer antes da velhice.
Princípio de Design para a frente de Educação para Envelhecimento
Combater o idadismo exige transformar as narrativas, instituições e aprendizagens que moldam nossa relação com a idade durante todo o curso de vida. Isso significa deslocar a educação sobre envelhecimento de uma pauta dirigida apenas às pessoas idosas para uma aprendizagem que começa muito antes da velhice e envolve diferentes gerações, profissionais e instituições.
Exemplos
Cabelo Branco Educação · Viçosa, MG — leva a educação para o envelhecimento à Educação Básica, atuando quando percepções e estereótipos sobre idade ainda estão sendo construídos.
Instituto Novos Velhos · Brasília, DF — transforma relatos de discriminação por idade no trabalho em evidências para conscientização, mudança de narrativas e mobilização social.
Portal do Envelhecimento e Longeviver · São Paulo, SP — sustenta uma infraestrutura continuada de produção, tradução e democratização de conhecimento sobre envelhecimento e Cultura da Longevidade.
NUPATI – Núcleo de Pesquisas e Ações da Terceira Idade · São Cristóvão, SE — integra ensino, pesquisa e extensão em Gerontologia, ampliando dentro da universidade os espaços de aprendizagem e reflexão sobre envelhecimento.
Pelo Direito de Envelhecer · Belo Horizonte, MG — conecta educação sobre envelhecimento, direitos humanos e transformação das práticas de profissionais e instituições responsáveis pela garantia de direitos.
2.
Desenhar o digital para participação, e não apenas para acesso.
Princípio de Design para a frente de Inclusão Digital
Inclusão implica desenvolvimento de habilidades, confiança, pensamento crítico e capacidade de produzir, compreender e circular informação com segurança, considerando diferentes territórios, repertórios e experiências de envelhecimento.
Exemplos
Tecer Mulher · Marabá, PA — combina inclusão digital, perspectiva de gênero, contexto amazônico e aprendizagem intergeracional para fortalecer autonomia e cidadania digital de mulheres idosas.
ProEIDI · Natal, RN — amplia a inclusão digital do uso de smartphones e computadores ao pensamento computacional e à inteligência artificial, com metodologia adequada ao ritmo de pessoas idosas.
Puxirum da TI · Santarém, PA — democratiza programação, robótica, inteligência artificial e pensamento computacional em comunidades amazônicas e entre populações historicamente sub-representadas na Computação.
Conectando Saberes 60+ · Brasília, DF — atua sobre o próprio ecossistema de inclusão digital, conectando iniciativas, evidências e conhecimentos.
Desenrola E Não Me Enrola · São Paulo, SP — amplia inclusão digital para educação midiática e integridade da informação, posicionando pessoas em longevidade e territórios periféricos também como produtores de informação.
3.
Projetar segurança financeira para uma vida inteira de transições.
Princípio de Design para a frente de Educação Financeira
Viver mais exige ir além da aposentadoria: fortalecer capacidade de decisão, proteção contra vulnerabilidades, autonomia patrimonial e produtos financeiros capazes de acompanhar mudanças de renda, trabalho, cuidado e projeto de vida.
Exemplos
Zelia · Rio de Janeiro, RJ — leva a proteção contra violência patrimonial digital para o momento em que a decisão financeira acontece.
Finanças Sênior · Cotia, SP — desloca a educação financeira da preparação para a aposentadoria para decisões econômicas ao longo de diferentes transições da vida.
Brasilprev · São Paulo, SP — mostra como a longevidade pode provocar adaptações em produtos, serviços, comunicação, experiência do cliente e estratégia.
Instituto Casa de Davi — Projeto Saber Financeiro · Brumadinho, MG — aproxima educação e proteção financeira das realidades de pessoas idosas em territórios rurais e comunidades tradicionais.
Projeto Dinheiro e Longevidade · Rio de Janeiro, RJ — trata o dinheiro como dimensão que atravessa transições, relações, cuidado e escolhas ao longo da vida.
4.
Desenhar o trabalho a partir da contribuição, e não da idade.
Princípio de Design para a frente de Inclusão Produtiva
Carreiras mais longas exigem múltiplas portas de participação econômica — emprego, projetos, empreendedorismo, agricultura, consultoria, tecnologia e novas carreiras — capazes de reconhecer experiência acumulada sem aprisioná-la aos modelos tradicionais de trabalho.
Exemplos
Aceleradora 50+ do INEI · atuação remota; cadastro no Rio de Janeiro, RJ — ajuda pessoas 50+ a transformar experiência e conhecimento acumulados em negócios, consultorias, mentorias, projetos e novas formas de geração de renda.
Aurora Ventures · São Paulo, SP — posiciona mulheres maduras como fundadoras de startups de tecnologia, conectando idade, gênero, empreendedorismo e inteligência artificial.
EFA COCAIS – Projeto Família Agricultora · São João do Arraial, PI — conecta agricultura familiar, agroecologia, agregação de valor e saberes das pessoas idosas para fortalecer geração de renda no meio rural.
Acreditar – Projeto Empreender 60+ · Glória do Goitá, PE — articula empreendedorismo, tecnologia, educação financeira, saberes locais e ancestralidade para ampliar oportunidades de geração de renda no interior de Pernambuco.
Senium · Fortaleza, CE — articula reinvenção profissional, empreendedorismo e geração de renda para ampliar as possibilidades de contribuição produtiva de pessoas 50+.
5.
Trocar participação para pessoas idosas por poder de ação com pessoas idosas.
Princípio de Design para a frente de Protagonismo 60+
Voluntariado, participação cívica e atuação de pessoas 60+ como agentes de transformação em suas comunidades, organizações e territórios.
Exemplos
BairroComVida · São Paulo, SP — coloca pessoas 60+ como agentes de desenvolvimento local, mobilizando sua experiência para articular atores e transformar o território.
Fórum Nacional das Mulheres Envelhecentes e Idosas · Brasília, DF; Natal, RN; Salvador, BA; São Paulo, SP — transforma experiências de mulheres 50+ em organização coletiva, defesa de direitos e participação na agenda pública.
APARG · Berilo, MG — coloca mulheres mais velhas no centro da preservação da tecelagem tradicional, da produção econômica e da transmissão de conhecimentos do território.
Instituto Makambira – Trilha de Formação em Cidadania 60+ · São Paulo, SP — desenvolve capacidades para que pessoas idosas participem de forma qualificada de conselhos, fóruns e outros espaços de cidadania.
SINTEPE – Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco · Recife, PE — trata a aposentadoria como continuidade da participação cidadã, articulando formação, organização coletiva e presença em espaços de participação social.
6.
Transformar dados sobre envelhecimento em capacidade de agir sobre a longevidade.
Princípio de Design para a frente de Estudos, Pesquisas e Indicadores de Longevidade
Produzir evidência é apenas o primeiro passo; valor sistêmico emerge quando conhecimento pode orientar decisões, revelar desigualdades, acompanhar mudanças e qualificar políticas e soluções.
Exemplos
Estudo SABE · São Paulo, SP — acompanha mudanças nas condições de vida e saúde da população idosa ao longo do tempo.
Plataforma Longeviver · São Paulo, SP — transforma dados em inteligência territorial para planejamento e políticas públicas.
Rede UNIDES · Viçosa, MG — transforma conhecimento acadêmico em instrumentos, tecnologias sociais e materiais aplicáveis.
Instituto de Longevidade MAG · RJ e SP — utiliza indicadores para analisar o quanto municípios estão preparados para o envelhecimento populacional.
Grupo de Pesquisa em Gerontecnologia · Passo Fundo, RS — aproxima investigação científica, formação e soluções na interseção entre envelhecimento e tecnologia.
7.
Criar algo que nenhuma geração produziria sozinha.
Princípio de Design para a frente de Intergeracionalidade
O potencial intergeracional cresce quando diferentes idades não apenas convivem, mas trocam recursos, compartilham decisões, resolvem problemas e produzem conjuntamente.
Exemplos
Link Tecnologia Social — Gerações em Rede · Guarujá, SP — conecta gerações para compartilhar saberes e fortalecer comunidades.
LongevIDADES Instituto · Florianópolis, SC — transforma a troca entre gerações em prática estruturada de desenvolvimento organizacional.
Inova 60+ — De Guru para Guri · Blumenau, SC — combina a experiência de pessoas idosas e metodologias mobilizadas por jovens para desenvolver soluções conjuntamente.
Encontro Geracional · Palmares, PE — aproxima pessoas idosas institucionalizadas e estudantes por meio de encontros continuados.
A Memória dos Bairros de São Paulo pelos 80+ · São Paulo, SP — transforma memória e experiência em recurso para produzir história e conexão entre gerações.
8.
Tratar conexão como infraestrutura de saúde.
Princípio de Design para a frente de Saúde Social
Vínculos, pertencimento, reciprocidade e participação comunitária não são acessórios do envelhecimento saudável; são recursos que precisam ser intencionalmente construídos e sustentados.
Exemplos
Rede COMPAZ – Fábrica de Cidadania · Recife, PE — transforma equipamentos públicos em infraestrutura territorial de convivência, aproximando participação, direitos e oportunidades dos lugares onde as pessoas vivem.
Instituto Abdalaziz de Moura – Projeto Flor de Mandacaru · Gravatá, PE — cria espaços continuados de convivência e participação que fortalecem vínculos, pertencimento e valorização das experiências de pessoas idosas.
Kiraz Brasil – PAPI-D e Barigui Cuida de Você · Curitiba, PR — combina acompanhamento, redes de suporte, lazer e socialização para enfrentar riscos de isolamento, especialmente entre pessoas idosas que moram sozinhas.
Conex60 · Belo Horizonte, MG; São Paulo, SP — aproxima pessoas 60+, projetos, empresas, produtos e serviços para ampliar possibilidades de conexão, participação e circulação social.
Rede Inventividade · Salvador, BA — constrói espaços de troca, apoio e participação com as próprias pessoas idosas, fortalecendo reciprocidade, vínculos e pertencimento.
9.
Projetar saúde para a capacidade de viver, e não apenas para tratar doenças.
Princípio de Design para a frente de Promoção de Saúde Integral
Longevidade saudável exige integrar prevenção, funcionalidade, cognição, saúde mental, autocuidado, acesso, vínculos e diferentes dimensões do bem-estar.
Exemplos
Lumen Ciência e Saúde · Petrópolis, RJ — articula saúde cognitiva, prevenção e tratamento de quadros demenciais, evidências científicas e formação de profissionais.
Movimento VIVAS · Recife, PE — conecta menopausa e outras transições da maturidade ao autocuidado e ao bem-estar físico, emocional e social das mulheres.
UNA – Associação União Namastê de Agroecologia · Glória do Goitá, PE — conecta saúde, agroecologia, alimentação, convivência e território, ampliando a promoção do bem-estar para além do cuidado individual.
EnvelheSENDO: rio abaixo, rio acima · Cametá, PA — desenvolve estratégias de promoção da saúde com pessoas idosas ribeirinhas a partir de seus modos de vida, território, ancestralidade e condições concretas de envelhecimento.
Projeto Idade Ativa · Porto Velho, RO — combina acompanhamento multidimensional da saúde com pesquisa e tecnologia, integrando aspectos físicos, funcionais, emocionais e de qualidade de vida.
10.
Transformar cuidado de responsabilidade individual em infraestrutura coletiva.
Princípio de Design para a frente de Economia do Cuidado
Uma sociedade longeva precisa qualificar quem cuida, apoiar famílias, coordenar atores, fortalecer redes comunitárias e construir sistemas capazes de distribuir melhor responsabilidades, recursos e proteção.
Exemplos
Associação Cuidadosa · Belo Horizonte, MG — articula qualificação, produção de evidências, práticas institucionais e advocacy para tratar o cuidado como direito, trabalho e responsabilidade coletiva.
Associação Favela Compassiva · Rio de Janeiro, RJ — constrói uma arquitetura comunitária de cuidado conectando moradores, equipes multiprofissionais e famílias no próprio território.
Cuida de Mim – recriar.com.você · São Paulo, SP — cria redes de apoio e espaços de troca para quem cuida, reconhecendo o suporte aos cuidadores familiares como parte da própria infraestrutura do cuidado.
Grupo de Pesquisa, Estudo e Extensão em Economia do Cuidado e do Trabalho · Fortaleza, CE — conecta pesquisa, território e formulação de políticas para tornar visíveis as dimensões econômicas, sociais e políticas do trabalho de cuidado remunerado e não remunerado.
Grupo Laços · Rio de Janeiro, RJ (sede) — articula cuidado domiciliar, equipes multiprofissionais, tecnologia e monitoramento para apoiar autonomia, funcionalidade e continuidade do cuidado.
11.
Desenhar para participação ao longo da vida, antecipando barreiras em vez de remediá-las.
Princípio de Design para a frente de Acessibilidade e Mobilidade
Casas, bairros, transportes, serviços e espaços públicos devem permitir que diferentes capacidades convivam ao longo do curso de vida, reduzindo barreiras antes que elas produzam dependência, insegurança e exclusão.
Exemplos
Coletivo Cidade do Cuidado · São Paulo, SP — trata os trajetos cotidianos e o acesso aos serviços como parte da experiência de cuidado, buscando tornar os deslocamentos a pé mais seguros, orientáveis e confortáveis.
Flavia Ranieri Geroarquitetura · Brasília, DF; Belo Horizonte, MG; São Paulo, SP — atua sobre projetos e padrões do ambiente construído para promover autonomia, segurança, bem-estar e participação ao longo da vida.
Trevoo – Morar Sênior · São Paulo, SP — combina informação, critérios de qualidade e qualificação da oferta para apoiar decisões sobre alternativas de moradia para pessoas idosas.
Movimento Longevidade Brasil-RS · Porto Alegre, RS — introduz a moradia como dimensão de proteção, propondo acolhimento temporário quando permanecer no ambiente de origem deixa de ser seguro.
SER Arquitetura Humanizada e Acessíveis – Experiência Imersiva de Acessibilidade · Santos, SP — transforma princípios de acessibilidade e Desenho Universal em experiência concreta, evidenciando como barreiras ambientais podem limitar a participação.
Desenhando para Contribuição ao Longo da Vida
Os 11 Princípios de Design apontam para uma mudança comum de perspectiva. Inovar para a longevidade não significa necessariamente desenhar soluções exclusivamente para pessoas idosas. Significa criar condições para a continuidade da vida — da autonomia, da contribuição, da aprendizagem, das relações, do cuidado e da participação — ao longo de vidas cada vez mais longas.
Os princípios tornam visíveis diferentes deslocamentos: do acesso digital à participação; da aposentadoria à segurança econômica durante transições; da idade à contribuição no trabalho; da participação ao poder de ação; da convivência entre gerações à produção conjunta; da conexão social à infraestrutura de saúde; e do cuidado individual à infraestrutura coletiva.
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Os Princípios de Design emergem da leitura transversal de iniciativas selecionadas por sua aderência às Frentes de Inovação, caráter inovador, potencial de transformação sistêmica e possibilidade de inspirar outros contextos. Explore mais no relatório completo e descubra diferentes caminhos para inovar para vidas mais longas.
O Mapeamento continua. Novas organizações podem integrar essa infraestrutura viva de conhecimento e conexão, ampliando a diversidade de soluções e territórios representados. A série de relatórios também continuará explorando novos achados e perspectivas sobre o ecossistema de inovação social em longevidade.